RESPIRAÇÃO  E PROVAS DE FUNÇÃO RESPIRATÓRIA

A respiração é uma função complexa,  partilhada  pelo  aparelho broncopulmonar, sistema cardiovascular e sangue. Desenvolve-se em várias fases, destacando-se, a nível pulmonar,  a ventilação   e a difusão. O contributo da componente broncopulmonar, para a respiração pode aumentar, em caso de necessidade, até cerca de 20 vezes, enquanto o da componente cardíaca não varia mais  de 7.

Sendo a respiração complexa, o seu estudo não é simples, devendo adequar-se às diversas situações clinicas (hábitos tabágicos, exposição inalatória ambiental, profissional ou doméstica, patologia bronco pulmonar prévia, sintomas dominantes) e objetivos pretendidos (“check-up”,  caracterização fisiopatológica, diagnóstico, avaliação terapêutica e capacidade de esforço).

Das várias vertentes da respiração, todas fundamentais, a Ventilação  ocupa  posição nuclear por contribuir maioritariamente para a capacidade de reserva respiratória.

EM QUE CONSISTEM A VENTILAÇÃO E A DIFUSÃO?

A  VENTILAÇÃO, é o processo mecânico, que desloca o ar entre a  atmosfera e  os pulmões, em cada ciclo respiratório. O estudo deste movimento faz-se pela Espirometria, que avalia o volume de ar que entra e sai dos pulmões em cada movimento respiratório.  A Espirometria é o exame mais utilizado, relativamente económico, sendo  indispensável nestes estudos. Pode realizar-se isoladamente ou associada à Pletismografia. Esta, estuda a resistência à passagem do ar pelas vias respiratórias e também avalia o volume de ar que fica retido nos alvéolos, no fim de cada expiração.  As  duas técnicas são complementares. A Pletismografia não exige colaboração ativa do avaliado, ao contrário da espirometria.

A DIFUSÃO, consiste na passagem do ar dos alvéolos para os capilares pulmonares.  A técnica que estuda a difusão alvéolo-capilar – DLCO mede a capacidade difusora dessa membrana,  indexada ao volume alveolar, permitindo o diagnóstico diferencial entre algumas patologias do  interstício pulmonar e dos alvéolos.

Então, como se pode estudar a respiração? O desenvolvimento do estudo não tem regra fixa. É frequentemente no decorrer do exame, tendo em conta a situação clínica e os objetivos pretendidos, que melhor se definem as vertentes,  os parâmetros e os testes a executar.

No conjunto  broncopulmonar  avaliam-se a ventilação, a broncomotricidade, a difusão e o resultado final deste  contributo para a respiração:  a saturação de oxigénio (Sat. O2)  e CO2 no ar exalado.

PARA QUE SERVEM AS PROVAS DE FUNÇÃO RESPIRATÓRIA E A QUEM SE DESTINAM:

A respiração visa a oxigenação das células e tecidos, não só em repouso mas também em esforço. Por isto mesmo, o seu estudo é indispensável para avaliar a situação basal e a capacidade de exercício ou esforço, em situações extremas (desporto) ou de doença, que reduzam ou interfiram com  as diversas fases  da respiração (patologia pulmonar, brônquica, sono, cardíaca, neurológica).

As provas respiratórias podem realizar-se em indivíduos saudáveis ou sem diagnóstico de doença respiratória, em indivíduos com risco de doença respiratória e em doentes respiratórios já diagnosticados.

Em indivíduos sem diagnóstico de doença respiratória nas seguintes situações:

– investigação de sintomas (cansaço, tosse arrastada, pieira, expetoração crónica, entre outros);

– rastreio de doença em indivíduos saudáveis com risco inalatório (poluição ambiental, doméstica ou profissional);

– identificação precoce de patologia pulmonar em fumadores;

– avaliação de risco operatório;

– avaliação em medicina desportiva.

Em indivíduos com diagnóstico de doença respiratória nas seguintes situações:

– diagnóstico e monitorização de doença respiratória – doenças obstrutivas (asma, DPOC), patologia restritiva (por obesidade, deformidade torácica, doença do interstício)

O diagnóstico precoce, pode aconselhar/“obrigar” a terapêutica farmacológica ou a mudança de hábitos/estilos de vida, para prevenir ou minimizar  maiores problemas no futuro.

QUAIS SÃO OS PRINCIPAIS TESTES DE FUNÇÃO PULMONAR A REALIZAR:

1- Na Ventilação:

a)- Espirometria – estuda  os fluxos e débitos brônquicos (VEMS e DEM), em expiração forçada, informando se há obstrução ou livre passagem das correntes aéreas através dos brônquios ou se há restrição (limitação) ou não,  ao aumento do volume pulmonar.

b)- Pletismografia – estuda as resistências à passagem das correntes de ar nos brônquios (fluxos) e avalia o  volume residual.

c)- Broncomotricidade – avalia a variação do diâmetro dos brônquios (labilidade brônquica), por espirometria, antes e após inalação de broncodilatadores, broncoconstritores ou realização de esforço físico.

2- Difusão – estuda a capacidade do ar “atravessar” a barreira alvéolo – capilar pulmonar (DLCO);

3- Oximetria  e Capnografia – a primeira estuda a captação de oxigénio pela hemoglobina a nível pulmonar (Sat.O2) e a segunda   mede a libertação de CO2 no ar expirado.

QUE PROVAS  SE DEVEM / PODEM REALIZAR

Não há regra fixa para definir o conjunto de testes necessários e convenientes ao estudo da função respiratória de cada individuo, pois deve ter-se em conta a situação clinica, a exposição ambiental anterior, o objetivo do exame e o tipo de informação  pretendidos.

Por isto, a opção base para estudo da ventilação, (espirometria isolada ou com pletismografia associada), é importante para alargar ou não as possibilidades de avaliação.

Note-se, ainda, que estudando várias vertentes da respiração se pode “saltar” da mera caracterização fisiopatológica (obstrução / insuflação / restrição), para uma proposta  diagnóstica, quando à associação da  espirometria e pletismografia, se juntam a difusão e a broncodilatação.

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